21.4.17
Nossos rabiscos

Essa tensão está aqui há muito tempo. Acho que nós sabemos disso desde o começo, mas por alguma razão que tento encontrar até hoje, nunca discutimos isso e quanto mais tempo passa, tenho mais certeza que nunca vamos fazer isso. Ainda assim, eu sei que você pensa a mesma coisa que eu sobre tudo isso, mas da mesma forma, também não sabe como lidar com esse assunto, se é melhor deixar de lado ou dar a importância que achamos que merece de alguma forma. Na verdade, já fizemos essa escolha. Deixamos isso de lado. Preferimos dar atenção ao que era mais importante ou talvez, mais fácil. Soubemos lidar com isso por muito tempo, claro, com alguns furos, mas, soubemos. Entretanto, venho percebendo que nossas realidades já não são mais as mesmas, perdemos o nosso ritmo. Não diria que você está mais rápido ou devagar, apenas estamos em ritmos diferentes, nos deixando desiguais. Não sou a única que percebeu isso, você sabe, e começou a agir como tal, só que de uma forma que eu não esperava, pelo menos, de você não. Por quê? Apenas, me diga a razão para tudo isso. Mas não. Você prefere o silêncio, enquanto eu prefiro ignorar tudo isso porque eu já tentei, tentei encontrar algum sinal na sua mudez e sempre termino em frustração. É impossível tirar conclusão de alguma coisa que eu não tenho nem ideia do que está acontecendo. Então, me diz, o que você quer de mim. Só me diz! Você quer uma parte de mim? Meu interior? Poderia te dar qualquer coisa, Meu corpo inteiro. Lhe daria para usar da forma que você quisesse, contudo, preciso que me peça antes disso. Diga olhando nos meus olhos, diga bem perto de mim sussurrando no meu ouvido, grite, qualquer forma, desde que você ache que é a melhor para se usar no momento. Sabe aqueles rabiscos que uma criança faz quando ela não sabe ainda como desenhar? Esses rabiscos são a nossa representação mais nua e crua. Começamos nisso de uma forma que não sabemos como, também não temos ideia de como isso vai acabar e por fim, a confusão desses rabiscos está por todo o nosso corpo e também entre nós. E mesmo sabendo de tudo isso, ainda continuamos fazendo os mesmos rabiscos, e às vezes até ficamos entrelaçados neles, até algum dia aprendermos ou sabermos como desenhar da forma certa. 
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