Jurei que tentaria fazer isso pelo menos uma vez por semana. E até então, tenho conseguido a dois meses. É meio longe de mim, mas é um daqueles lugares que não importa a distância, vale a pena. Poderia dizer que é um dos meus lugares preferidos no mundo todo. Não só pelo local em si, mas pelas memórias que ele carrega consigo e mais um pouco. 
Estou aqui. Sentada. Em algo tão grande que me faz duvidar das leis da física, porque não acredito que alguém tenha resposta para me explicar como isso surgiu. Talvez alguém até tenha, porém eu prefiro imaginar que não. Mas isso está longe de ser o motivo pelo qual me sento aqui pelo menos uma vez a cada sete dias. É difícil explicar algo inexplicável, algo que só quem ver, vai entender do que eu estou falando. Não é apenas sentar aqui e admirar, é muito mais que isso. É sentar aqui e sentir enquanto admira. Mas não garanto que sentirá o mesmo quando estiver aqui, acredito que cada um sentiria algo diferente, até parecido um com o outro, mas diferente.
Apenas posso sentir comigo mesma. A companhia de um outro alguém atrapalharia o que quer que seja que estou sentindo aqui, porque até agora não encontrei uma palavra certa para definir, e não acho que seja algo que valha o esforço. É o único lugar que presto atenção à todo o meu redor, porque não teria como ser diferente. E é sempre ao som da mesma música que percorro todo esse verde até chegar aqui para me sentar, para continuar escutando a música se misturando com o barulho do vento. E fico aqui, por bastante tempo, olhando como esse branco se mistura ao azul, em como as folhas se mexem com o toque do vento, nessa imensidão que nunca parece ter fim de onde estou, até eu sentir algo molhado na minha orelha ou então no rosto mesmo, me fazendo lembrar onde eu estou por alguns instantes.
Não sei como, mas é um dos únicos lugares que consigo passar tanto tempo sem pensar em absolutamente nada e sem grandes esforços. Apenas escutar, fechar os olhos e sentir como é ter os cabelos bagunçados pelo vento. Nunca parei para pensar em quanto tempo eu fico aqui, e na verdade, a última coisa que quero fazer nesse lugar é ficar com algo na cabeça. Porém já pensei fora daqui e parece meio difícil ficar tanto tempo sem pensar em nada, mas acontece, só não posso dizer como. E é só quando estou com dores nas mãos e nas nádegas por conta dos relevos que sei que está na hora de abandonar o navio, como se o próprio lugar estivesse me mandando ir embora. E como sempre, eu obedeço. 
Compartilhar:
Comentários:

2012-2016 © MEUSDELIRIOS.COM - DIREITOS RESERVADOS.