Foram várias noites indo dormir mais cedo para tentar curar a dor pelo menos por algumas horas enquanto mergulhava em seus próprios sonhos perturbados, que mesmo assim eram insignificantes ao acordar. Muitas das vezes, o travesseiro acabou sendo o melhor amigo, junto com a escuridão do quarto em um silêncio que mais parecia gritar em seus ouvidos. Para se proteger, os ouvidos foram tapados com as duas mãos, e isso acabou funcionando, porém além dos gritos, não se escutava mais nada, então todos perderam a voz ao seu redor. O deixando mais ainda sozinho na escuridão de seu quarto e com a confortabilidade que vinha apenas de seu travesseiro. 
Se passaram anos da mesma forma, sem mudança alguma. E a causa de tudo isso era a procura incessante de uma mão que não fosse a sua própria para preencher os espaços entre seus dedos, apenas ter alguém para dividir seus desejos mais profundos. Mas isso a cada dia parecia mais uma caça à um tesouro que não existia ou talvez apenas estava sendo uma procura da forma errada, já que tesouros não existem. Além de estar com os ouvidos tapados, sua visão também estava comprometida, já que a sede de sua procura o fez apenas olhar para frente, perdendo totalmente sua visão periférica. No fim de tudo, estava apenas vendo imagens distorcidas, tendo dificuldades de saber o que era real e o que não era, e depois de um tempo já tinha até perdido o foco que já teve antes disso. 
Após um tempo, acabou se acostumando à essa forma de viver, já achando que não havia outra, e que essa que havia pensado, era apenas algo não real. Mas de longe havia alguém à espreita. E como uma forma de não assustar a "presa", foi se aproximando aos poucos. Chegou a ficar à uma distância que pudesse destapar olhos e ouvidos, conseguindo assim dar a ele uma visão e audição mais claras de tudo. Com tudo mais apurado, a escuridão do quarto passou a ser apenas algo necessário para se descansar melhor, o travesseiro algo para apenas repousar a cabeça na hora de dormir e os gritos exorbitantes foram calados por gargalhadas que deixavam de alguma forma o quarto cheio de algo que é impossível de se ver. 
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