22.8.16
No final
Eu não sei o que estou fazendo aqui. Nunca me senti como eu acho que deveria, como se fosse o meu lugar preferido no mundo, como se fosse o lugar mais confortável para mim, aquele lugar que você pensa em ir primeiro quando acha que tudo não está dando certo e só quer se esconder de tudo. Parece que desde pequena estou tentando me encaixar em um lugar que não foi feito para mim, me fazendo sentir estranha desde sempre. O problema disso é que a cada dia que passa me sinto muito mais deslocada. É como tentar encaixar um círculo em uma forma de triângulo, mas no meu caso, nem um tipo de forma eu sou, porque poderia não me encaixar na forma, mas ser da mesma categoria. 
A maioria das pessoas quando estão perdidas querem ir para o seu lugar mais conhecido, o mesmo lugar que está presente na maioria de suas memórias, aquele que você poderia estar de olhos fechados e mesmo assim saberia exatamente onde está qualquer coisa. No meu caso, quando eu estou nessa situação, quero ir para qualquer lugar, menos para o que eu deveria ir. Só quero ir para onde não tenho memória nenhuma, para onde não está cheio de coisas ruins, que tentam me comer viva o tempo todo. Prefiro me perder ainda mais, e talvez criar alguma memória branca, que me faça esquecer pelo menos por algumas horas das memória negras rondando ao meu redor.
Estou a ponto de quebrar, quebrar algo que demorei tanto para deixar em pé. É como se fosse uma torre inclinada para um lado a ponto de cair, e quando eu empurro para ela não cair de um lado, ela inclina para o outro. Por muito tempo isso funcionou, até quando a base ainda estava firme, mas agora ela está fraca, e não aguenta mais o peso dessa torre, então por mais que eu faço um esforço múltiplo, sinto que ela vai cair a qualquer momento, e consequentemente se quebrar. Ainda tento deixá-la em pé, porém não aguento mais, já é muito pra mim, estou com as mãos todas esfoladas de tanto esforço. 
Mas ainda assim, acho que a pior parte são as vozes. Elas me corroem não por fora, mas por dentro, tento escutá-las, decifrá-las, entendê-las, só que eu sinto que elas estão me consumindo, e como uma criança de 5 anos quando não quer escutar algo, estou colocando minhas mãos por cima dos meus ouvidos em tentativa de não escutar mais nada. Algo ridículo, mas na altura do campeonato tento qualquer coisa. Toda vez que passo pela entrada é a mesma coisa, as vozes zumbindo nos meus ouvidos e as coisas negras aparecendo ao meu redor. Eu só quero um lugar diferente, algum lugar que eu possa deitar na cama sem sentir algo me pressionando, um lugar que eu possa chamar de meu.
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