No começo foi algo meio confuso, eu não sabia lidar com aquilo, era algo além de mim, que eu sentia que estava acontecendo. Chegou a certo ponto que eu estava começando a sair de mim, e estava chegando o momento que eu mesma ia ficar me olhando com sobrancelhas juntas. A partir daí, tudo era questão do meu auto questionamento, então, qualquer ação que partia de mim, eu ficava tentando achar um erro nela, o porquê de eu ter-la feito, talvez como uma forma de achar explicação para algo que eu sabia que não tinha resposta. Por mais que você seja tão seguro de si, a ponto de achar que nada pode te abalar, existe sempre alguém que ainda consegue essa façanha, de uma forma bem feita, aliás. 
Depois, comecei a perceber que estava me sentindo esgotada, eu não conseguia mais seguir no caminho que eu estava, não sei como era possível se sentir tão sem forças enquanto eu simplesmente estava parada, parecendo que tinha acabado de andar quilômetros Você conseguiu, conseguiu tirar tanta energia minha em tão pouco tempo, a ponto de eu querer apenas bagunçar meu cabelo enquanto não via nada aparecendo quando eu olhava para algo que iluminava meu rosto enquanto ficava na minha mão. Chega ao momento que já nada faz sentido, e você sabe disso, mas você insiste em dar uma segunda chance, terceira, quarta. 
E o silêncio? Ah, mas como ele quase conseguiu me matar. Uma das piores coisas é esperar no silêncio, talvez nada pior que ele. Me consumia, silenciosamente. Apesar disso, você cogita coisas, a maioria delas em esperança de que você consiga de alguma forma reverter, mas é lógico que é algo impossível, até porque se não fosse, não teria chegado a esse ponto. 
Foi então que percebi que ele não estava bem, aquilo que é vermelho que está em constante batimento. Sentia algo escorrendo nele e depois pingando, fazendo barulho naquele silêncio que eu estava, o sangue passava por entre a lâmina que foi fincada lá um pouco antes, escorria e pingava. Foram esses pingos que me fizeram querer sair desse silêncio, esses pingos começaram a fazer um barulho que eu não estava mais suportando. Eu estava com medo. Medo de quando eu tirasse essa lâmina, que não fazia parte do meu corpo, se eu ainda ia continuar com algo batendo dentro de mim.
Foi aos poucos. Mas acabei tirando. Ainda assim, sentia alguns pingos caindo. Ainda hoje não sinto eles escorrendo, porém de vez em quando parece que eu escuto o barulho que eles faziam ao cair.
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