Enquanto caminho, penso em algumas coisas. Nem são tantas na verdade. Somente as que foram fortes o suficiente para me trazerem até esse caminho que me leva à esse lugar. Já tentei algumas vezes tirá-las daqui, mas elas insistem em ficar e então todas as minhas tentativas foram sem sucesso. Tirei os sapatos, assim eu posso sentir a grama nos meus pés, algumas pontas entrando entre meus dedos e fazendo um pouco de cócegas, e até me distraindo um pouco da visão que se aproxima à minha frente e me fazendo olhar para o chão. Apesar disso, também sinto o toque duro e gelado da pedra na minha pele, e isso me lembrou muito como está a situação de algo dentro de mim. 
Penso se estou fazendo a coisa certa, se essa é mesmo a minha única opção, mas às vezes é tão difícil saber o que é certo ou errado, às vezes apenas queremos fazer algo sem ficar pensando em onde isso vai dar. Enquanto passo minha mão em meu pescoço, fico na dúvida em qual delas escolher, apesar de isso ser a minha menor preocupação no momento. Porém à altura do campeonato, vale qualquer coisa para me distrair. 
Estou me aproximando de onde eu quero chegar, e a cada passo me sinto mais livre, mas também sinto que cada vez que coloco um pé à frente, ele fica mais pesado, como se eles estivessem cheios de culpa, a culpa que deveria estar em outro lugar, mas como não está surtindo efeito, esta é a sua única chance de fazer alguma coisa. Por outro lado, vou sentindo mais vento batendo em mim, e é bom, me faz ter vontade de abrir os braços, como uma forma de estender o que estou sentindo. 
É aqui. Poderia saber até mesmo de olhos fechados que cheguei. O caminho foi um pouco longo, porém me deu mais tempo para pensar em tudo. É tão perfeito. É o lugar que todo mundo deveria escolher como o último que verá em toda a sua vida e então acho que acertei em cheio. Não importa se olho para os lados, para baixo ou para cima, sinto que não tem fim em nenhum deles. Como isso poderia ser possível? Escuto barulhos, aqueles mesmos que escutamos quando colocamos uma cocha de marisco no ouvido que encontramos na praia. As ondas estão tão longe, mas é como se elas estivessem vindo na minha direção, e eu, sinto como se fosse uma daquelas rochas, recebendo todas essas pancadas, repetidamente. 
Não sei o que faço. Parece que sou criança novamente, e não sei se entro na piscina porque a água está muito gelada ou se apenas fico olhando. Ao mesmo tempo, sinto a pressão nas minhas costas, como se fosse todo mundo gritando para eu pular, mas sinceramente, ainda não cheguei em nenhuma conclusão. Fazendo algo que faria, se fosse criança e estivesse à beira da piscina, me sentei, porém dessa vez eu não senti nenhuma água encostando meus dedos. Para sentir isso, será necessário um empurrão, e parece que estou prestes a sentir um. 
Compartilhar:
Comentários:

2012-2016 © MEUSDELIRIOS.COM - DIREITOS RESERVADOS.