11.11.15
Dois caminhos
Já tive muito medo, por não ter experiência com absolutamente nada, por não ter enfrentado nada, por sempre ter vivido na bolha da ilusão que tudo são flores. Mas eu tive, na verdade fui obrigada, a ralar e até vezes sangrar nos joelhos de vários tombos que levei, e agora me lembro que às vezes eu tinha tanta dor que não conseguia me levantar e muito menos andar, então a única coisa que eu fazia era colocar meu braços em volta das minhas pernas e chorar, esperando a dor pelo menos aliviar um pouco para que eu pudesse me erguer. 
Isso foi a muito tempo. Depois que você perde a conta de quantas vezes caiu, é nessa hora que você também perde o medo de se espatifar no chão, porque você sabe que tem força para aguentar o próximo mesmo ainda não se levantando do tombo presente. Então consequentemente passei um bom tempo sem temer nada, claro que evitava buracos no caminho, pulava alguns, mas nunca mudei a direção por medo de cair em algum deles. 
Como a vida sempre tem que bater em nós de algum jeito, e ela não estava conseguindo me atingir por um bom tempo, foi finalmente que ela achou uma maneira, e olha, bato palmas pelo esforço. Diferente de tombos, o arrependimento é algo que não pode se mudar. Diferente do tombo, que você aprende com ele por mais que doa, o arrependimento apenas vai mostrar que você deixou algo para trás, e é aí que dói, ficou para trás sem chance alguma de voltar. Diferente do tombo, que você vai sempre se lembrar como mais uma vitória e vai ser algo que vai levar para a vida inteira, o arrependimento vai te perseguir, te lembrar o tempo todo, te fazer pensar em como seria sua vida se você tivesse feito diferente, vai te corroer cada vez mais com o tempo e ninguém jamais quer carregá-lo nas costas.
A partir daí que a vida me apresenta o arrependimento e de uma vez finca em mim algo que nunca estive preparada para lidar e acredito que nunca estarei. É algo tão cruel ter tomado um rumo, e depois bater o sentimento no peito que talvez se você tivesse feito diferente tudo poderia ser melhor. Porém é possível ser pior. Como por exemplo você estar de frente para dois caminhos, dois caminhos que você deseja muito atravessar e que se pudesse iria por um e depois voltaria para presenciar o outro, mas só pode escolher um. Como conseguir atravessar apenas um enquanto você pensa que pode estar escolhendo o lado errado? 
Parada aqui estou, entre eles, olhando para um lado e depois para o outro. Está difícil. Não consigo me decidir. Se me fosse permitido, iria por um lado e caso não gostasse eu voltaria e entraria pelo outro, entretanto isso não me é autorizado. Também não posso passar anos aqui esperando a decisão me encontrar nesse ponto porque se a grama dos caminhos crescer, não poderei passar por nenhum deles. Sem ajuda, vou escolher um, e caso não dê certo, quando a decisão chegar ela quem sabe ela possa me ajudar com os próximos caminhos. 
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