Me olhava no espelho e nunca gostava do que via. Ficava olhando e sempre me perguntando porque eu era daquele jeito ao mesmo tempo que também ficava me imaginando como eu seria se fosse como a maioria das pessoas que convivia eram. Mas não estava me referindo ao interior e sim, esse mesmo, o exterior. 
Porém essa era a parte que eu apenas lutava comigo mesma, somente eu e meu reflexo. A pior parte da luta era quando eu tinha que enfrentar outros adversários, que estavam em toda parte, até mesmo dentro da minha casa, todos em minha volta me apontando o dedo. Como sobreviver a isso? Como conseguir respirar quando estava me sufocando com o incomodo alheio? Como conseguir ainda ter vontade de abrir os olhos se quando olhava para baixo, não gostava do que via? Como parar de molhar a fronha a noite quando todos já estavam dormindo?
Em um dia qualquer, acabei por interesse a parte, começar a tirar fotos de mim mesma, não só do rosto, mas do corpo inteiro. Com muita incerteza e insegurança claro, já que uma pessoa que tinha convivido tanto com os dedos apontados das pessoas, não queria mais outros em sua volta. Porém mesmo assim, continuei com essa ação de sempre de tirar fotos, cada vez aumentando mais os cliques e também diminuindo o tempo entre eles. Então nesse processo, fui olhando todos os resultados, e fui ficando impressionada em como a imagem que eu via naquela telinha da câmera, com uma foto onde o sol batia no meu rosto iluminando mais ainda meu sorriso, era tão diferente da imagem que eu via nos espelhos do meu quarto. Porque na frente do espelho eu não via meu corpo e sim todas as maldades que o cobria, já nas fotos eu o via limpo. 
A cada clique que a câmera dava, era um clique na minha cabeça, clareando tudo e realmente abrindo meus olhos para o que o mundo realmente era. Foi só então a partir de uma telinha que comecei a perceber que eu realmente não era o que todos falavam e o mais importante é que não precisava ser o que todos queriam que eu fosse. Foi nessa tela que eu realmente vi quem eu realmente era, uma pessoa linda do jeito que era, porque cada um pode ser bonito de uma forma e eu tinha a minha e só precisei de um tempo para descobri-la.
A partir dai eu comecei a sentir um amor tão grande, um amor que infelizmente poucas pessoas tem a felicidade de sentir, algumas demoram anos e outras nunca sentiram ele em sua vida inteira. O amor que é preciso sentir antes de qualquer outro. O amor próprio. Antes de amar alguém é preciso se amar primeiro, porque é esse amor próprio que vai te proteger quando alguém quiser te fazer de chão. É esse amor que me mantem forte quando meu coração está a ponto de quebrar. 
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