Já vi tanta coisa, fazendo alguns duvidar ou até não imaginar que meus cones e bastonetes presenciaram tantas cores ou tantas escuridões. Mas isso já é de esperar já que não deixo que minhas turbulências atravessem a linha da pele, se expondo ao mundo, e mantenho todas atrás dessa barreira que jamais alguém conheceu. 
Qual seria o intuito de querer passar suas tristezas, angustias, seus enigmas para outro ser? É impossível querer que outra pessoa entenda seus incômodos, sinta suas dores, ou que se ponha no seu lugar, até porque ela nunca esteve em seu posto, ela nunca viverá todas as coisas que você viveu, nunca passará noites sem dormir pelos mesmos motivos que os seus. Algo parecido não é igual. E sem perceber, eu já fazia isso desde que as malícias tomaram o lugar da inocência. 
Agir sempre foi a palavra mais certa para mim. E em vez de guiar esses pesadelos para ouvidos alheios, eu os posicionava em minha frente, e combatia da forma que fosse requerido no momento. Mesmo parecendo mais difícil, na verdade é totalmente o contrário, porque dessa forma você consegue chegar perto de uma solução, ou pelo menos alguma conclusão que faça esse pesadelo poder ficar em seu lugar sem reações indesejáveis. Mas talvez, isso não seja baseado na dificuldade e sim na coragem. 
Foi assim que levei por tantos anos e carreguei por tanto tempo meus pequenos pesadelos, que podem sim andar junto com você, como andam comigo. Se é possível conviver com a dor, pesadelos se tornam apenas coisas de contos de fadas. Então qual seria o problema andar com um livro desse embaixo do braço? Já que eles são intransferíveis, e muitos imortais. 

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