24.3.15
Meu sinalizador


São várias luzes, de carros, semáforos, prédios, lojas, todas formando um mar de luminosidade. Eu, estou aqui em cima mesmo, longe de toda essa movimentação, só observando as pessoas e suas vidas. E na verdade, descobri que isso é quase que um hobbie para mim, gosto de ficar observando as pessoas e por conta disso talvez possa parecer quieta. Mas aqui em cima está quieto por estar longe de tudo, apenas eu. 
Está ventando muito, mas o frio que sinto não está vindo do clima, mas preferia que fosse porque era só usar uma jaqueta e uma touca que estaria bem. Ah frio, porque você não passa junto com esse inverno? Quero sentir calor dentro de mim, sentir meu coração quente, acalorado, me sentir confortável como acordar de manhã no inverno, se sentindo aconchegante debaixo das cobertas. 
Essa parte fria anda junto comigo, e nunca passaria mesmo eu ficando embaixo do sol. Ela está localizada aqui mesmo, na minha fonte, essa que não para de bater. É claro que eu tenho quentura, porém também tenho minhas partes frias, em vários lugares, que poderiam me deixar paralisada, congelada por dentro. Mas, são essas quenturas que deixam meu corpo com a temperatura certa para se movimentar, porque mesmo que o bloco de gelo seja grande, se ele ficar ao lado de uma pequena chama, aos poucos vai derretendo, e essa é a única diferença. Apesar da minha chama sempre continuar acesa e me manter aquecida, ela não derrete o gelo vizinho.
O vento continua batendo no meu rosto, bagunçando o meu cabelo, e começo a ficar cansada de passar esse tempo sentada aqui, mas não consigo ficar com os olhos cansados. Dentre essas luzes da cidade, vejo meu sinalizador, mas esse em vez de me guiar para o caminho certo, acaba me deixando perdida e então me levanto, arrumo tiro a poeira da rouba, arrumo os cabelos bagunçados e sigo meu caminho para longe dessa intensa luz vermelha. Porque apesar de todo o vento, a minha chama continua aqui, acesa, viva, e mesmo que pequena, é ela que me guia daqui para frente e que me mantém viva. 
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