Hoje foi o meu último dia, na verdade é o meu último dia de você. A minha última dose de você será tomada hoje, de um gole só, para doer a garganta porém para descer tudo de uma vez, sem mais. Hoje, me permiti ver todo esse passado novamente, fotos, mensagens, lembranças, tudo que tinha alguma relação da nossa época. Porque ver tudo novamente? Para ter o meu último momento de nostalgia, meu último momento pensando em você, meu último momento de vertigem, apenas um último momento. 
Mas já faz tempo que você não me pertence mais, as vezes acho que na verdade você nunca me pertenceu, porém esqueci de soltar o nó do laço que está me prendendo à você. Um laço que mantive forte até onde pude, eu poderia até segurar mais alguns dias, meses, mas a cada dia que passa esse laço pega chuva, sol, vento, e vai se desfazendo aos poucos e por que vou esperar ele se desfazer sozinho? Eu mesma vou soltar, e para ser bem rápido, vou cortar com a tesoura. 
Porque foi até hoje? Porque foi bom demais para largar, mas na verdade se fossem pelas lembranças boas eu jamais soltaria esse laço. Só que sempre que essas lembranças passam por mim, apenas sinto as boas, as risadas, as palavras de amor, mas e as outras? O meu problema foi nunca ter pensado nas outras, nessas que só de lembrar já machucam tão facilmente como uma navalha passada de leve no pulso, e se eu pensar a fundo, não vai sair apenas gotas de sangue, isso vai ser só no começo e depois não vai parar de sangrar. Por isso preciso tirar logo essa navalha do meu pulso, enquanto apenas está saindo gotas de sangue, para não virar um sangramento contínuo daqueles que nem com estancamento sessam. 
Vou começar a desintoxicação de uma vez, cortando tudo que me faça ao menos me lembrar não de quem foi você, mas do que você me fez. Sei que não faz bem algum para o corpo cortar de vez algum vício, mas na verdade meu corpo não está recebendo nada de bom nos últimos meses e ainda está de pé, então porque vou ir aos poucos agora? Você não teve paciência nem para as últimas feridas cicatrizarem para fazer novas. Só que o que eu vou fazer pode ser bem dolorido, mas é daquelas coisas que só dão efeito com o tempo.
Sem mais continuação, a partir de hoje, vou te apagar da minha vida, como apagar as luzes para ir dormir, e se em alguma noite eu me pegar pensando em você, vou logo lembrar que você foi um sonho, daqueles que quando sonhamos é difícil esquecer, daqueles que nos fazem se remexer na cama durante o sono, mas que depois de acordar, aos poucos ele vai se apagando, porque afinal de contas foi apenas um sonho. 
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