É como se eu estivesse debaixo de uma tempestade, daquelas que não cessão nunca. Que deixa o céu completamente escuro, mas de vez em quando é iluminado por alguns brilhos dos trovões e quem dera só tivesse esses brilhos. Cada vez que sinto esse som nos meus ouvidos, sinto que está dentro de mim, me sacudindo e aflorando todo o medo de uma vez só. 
Algumas pessoas se escondem, dentro de suas casas, carros, ou o que pareça mais seguro no momento. Não posso dizer que não tentei fazer isso, mas ainda assim continuava ouvindo os pingos batendo no telhado, e o som dos trovões como se estivesse do meu lado. Na verdade não adiantou muita coisa, ficar lá quietinha esperando tudo passar. 
Então dessa vez quero fazer tudo de uma forma diferente, já que das outras vezes nenhuma funcionou. Dessa vez quero ver até onde essa tempestade vai, ficar debaixo dela, se molhar, ficar com os dedos enrugados, e até com calafrios. É engraçado até pensar nisso, porque quando era criança costumava amar a chuva para brincar com a água, chutar as poças ou pulá-las, e agora que cresci e que por lei da vida deveria ter mais coragem de quando era criança, vou me esconder?
Vou deixar os pingos me molharem, mas dessa vez quero estar sozinha, somente eu e meus pensamentos esperando tudo isso acabar, e finalmente nascer o sol, e com ele o arco-íris com tantas cores, o mesmo que costumava desenhar em uma folha de papel sulfite na escola. 
Mas enquanto esse sol não aparece, as vezes dá uma vontade incessante de deixar algumas lágrimas caírem e isso é a mesma coisa que acontece com as nuvens. Quando estão sobrecarregadas, elas precisam liberar toda essa água, e então porque segurar as lágrimas? Enquanto não forem soltas vão sempre estar ali querendo sair, mas logo depois que saírem, a água se esgota e essa vontade de chorar vai junto com elas. Elas vão cair, se misturar com a água da chuva, e você já não vai saber para onde aquele sentimento que estava com elas foi, talvez esteja em alguma poça. 
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