Não podia continuar escutando aquelas mentiras, não podia ficar calada e consentir com algo que não fazia parte da realidade, principalmente mentiras vindas de uma voz que ao invés de me agredir devia me confortar. Gritei, e tentar com esse grito, criar um tampão em meus ouvidos e impedir todas as palavras soltas de entrarem em mim. Mas ao invés de criar uma camada protetora sobre mim, eu acabei despertando a besta na minha frente.
Então ao invés de continuar ali, tomei meu rumo para outro lugar mais confortável, que antigamente seria meu quarto, onde até pouco tempo atrás era meu refugio, minha caverna em dias chuvosos, mas hoje é apenas um lugar onde meu corpo habita. Dessa vez preferi inalar o ar das ruas ao invés de inalar o cheiro do amaciante que sai das minhas cobertas. Preferi olhar para o sol, mesmo que com os olhos semicerrados do que olhar para a lâmpada fluorescente que iluminava meu quarto. Apesar de meu quarto parecer o lugar mais seguro, ele também é o mais obscuro.
Não quero mais me sentir protegida e fechada em meu próprio mundo, agora quero largar a vista dessa janela e trocar por árvores, casas, prédios e movimentação. Conhecer tudo que está ao alcance das minhas mãos, e o que não estiver alcanço com minha imaginação. Pode acontecer de me sentir vulnerável e insegura, mas como não me sentiria, trocando uma casinha por um castelo?
Apenas quero sentir o sol esquentando minha pele, sentir o ar livre dentro dos meus pulmões. Sem limites para meus pés caminharem, caminhar ao lado da escuridão e claridade. Acho  que estou preparada para isso há muito tempo, mas é como um passarinho que mesmo sabendo voar, tem medo de deixar o ninho para trás. E em vez de deixar as postas fechadas para não deixar a poeira entrar, vou abrir todas e inclusive as janelas, porque não tem nada melhor que a luz do sol. 
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