Acordei como em um dia normal, e fui resolver coisas pendentes na rua. Peguei o trem em destino ao compromisso, pensando em resolver tudo o mais rápido possível para chegar em casa cedo. Andei por várias ruas, e havia pessoas de todos os lados, por ser o centro da cidade. 
Quando estou andando na calçada, olhando as lojas, me deparo com você passando pela mesma calçada que a minha, e do meu lado. Só não passou bem mais perto de mim, porque a calçada estava apertada pela quantidade de pessoas, mas também havia outra coisa que nos separava um do outro. Você passou por mim como um relâmpago que podemos ver, sentir, porém não podia me segurar à ele, apenas ver ele vindo na minha direção, me arrepiar e vê-lo ir embora. 
Hoje acredito que dizem que para duas pessoas que se amam, o mundo pode ser pequeno. Exatamente em um dia simples, um lugar distante, e eu encontrar com você. Não sei se o que mais me chocou foi encontrar esse pedaço de mim que estava solto pelo mundo, ou ver que sua mão estava quente, mas não com o calor da minha. Ver sua mão entrelaçada com outra me fez pensar se depois de tudo, eu também poderia segurar a mão de outra pessoa. Se ao me deitar eu não me lembraria das nossas conversas, da rua risada e ao mesmo tempo do seu jeito sério. Mas pensando melhor, eu acho que não poderia.
Apesar de termos nos cruzado tão perto, eu senti que estávamos tão longe, com diferença de um quarteirão ou mais. Mas fiquei tão confusa na hora que até cheguei a pensar que era apenas uma ilusão, porém eu não me enganaria tão facilmente. Poderia te reconhecer mesmo que estivesse em uma multidão, cabelos claros, seu olhos, cada milímetro. 
Queria saber se você me viu, se me reconheceu depois de tanto tempo, se sentiu o que eu senti, se passou pela sua cabeça tudo o que passamos como passou na minha. Como eu poderia saber?
Mesmo depois desse tempo, de ter a oportunidade de te ver, mesmo que por tão pouco tempo, eu não pude olhar para trás. Apenas virar a cabeça para trás e te olhar mais uma vez, mas não poderia cravar mais aquela imagem em mim, como um punhal que cada vez que entrasse em mim, sangraria mais. 
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