Estou olhando o trânsito pela janela do carro, todas aquelas luzes dos faróis iluminando meu rosto através do vidro, e enquanto isso, minha mente vaga em outro lugar. No celular o som está no último volume, e com o botão do replay ligado para eu sentir cada batida da mesma música tocar junto com meu coração. E assim, o som entra nos meus ouvidos, sinto eles doerem a cada batida que é passada pelo fone, e por mais que eu sinta as pancadas por dois lados da minha cabeça, isso é o que menos me perturba no momento. Pelo contrário, até gosto dessas batidas porque elas servem para me manter alerta, me manter neste mundo, me lembrar que estou viva, me mostrar que ainda não acabou.
Não ouço nada além da música. Não escuto o motores ou as buzinas dos carros na rua, as pessoas conversando perto de mim. Poderia estar no meio de uma multidão, mas me sentiria sozinha, e apenas escutaria as vozes na minha cabeça. Meus pensamentos. 
Meus olhos estão cheios de lágrimas, são tantas que sinto minha visão embaçada, não consigo ver os faróis como são, apenas borrões coloridos ao fundo. Me seguro para não piscar, porque se isso acontecer, as lágrimas vão escorrer sobre meu rosto de forma contínua, percorrendo cada curva da minha face. Minha dúvida está entre deixá-las seguirem o caminho ao qual foram destinadas, ou se seguro até elas não estiverem com tanta ânsia de sair dos meus olhos. Mas por que eu as seguraria? Caso fiquem aqui, estarão presas como um pássaro na gaiola querendo voar.
No entanto, mesmo me doendo muito, mesmo sentindo o coração apertado, um peso dentro de mim, elas vão ficar aqui. Não é a hora. Na verdade, talvez essa hora nem chegue: a hora de partirem. Talvez se eu as deixar escorrer, eu vou ter me entregado e não quero correr esse risco. Apenas não posso. Não quero levantar a bandeira branca nessa guerra, mesmo que custe meu interior, eu decidi lutar por tranquilidade no meu coração.
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